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O estado geral de chefes e líderes pode ser traduzido em duas palavras: ansiedade e preocupação. Esse estado emocional não rege apenas o mundo corporativo. Pode ser considerado fator predominante na vida e nas relações de pais e filhos, amigos, solteiros e casados e por aí afora, qualquer que seja o estado civil ou condição social.

No trabalho, os principais geradores de ansiedade e de preocupação são os prazos e as metas. Ainda que com a boa intenção do planejamento, da organização dos passos do processo, da facilitação do trabalho em equipe, cada indivíduo se impõe como missão metas como “um lugar a chegar” ou “algo a atingir” com prazos cada vez mais enxutos, visando tornar cada um cada vez mais “responsável”. Ou seja, cada vez mais preocupado em apresentar resultado.

É fácil confundir responsabilidade com autocobrança ou preocupação. Ansiedade, responsabilidade, prazos e metas fazem parte do universo corporativo. Algumas empresas expressam de modo mais flexível e outras apresentam processo rígidos.

Os caminhos a serem trilhados para a solução deste estado interno e condutual dependem do perfil do profissional.
Para quem precisa de aprovação, quem se cobra demais em ser “bom” ou “o melhor”, metas e prazos tornam-se instrumentos de tortura para si e para os demais da equipe. O profissional fica focado no que falta fazer, corre, cobra e não tira satisfação do já realizado. Além disso, tende a errar mais, pois o foco maior de sua atenção não está no que está fazendo no momento – está no futuro, no possível negativo ou frustração.

Cabe, claro, todo um trabalho no sentido de esclarecer, informar e desenvolver novas formas de ação e interação para as relações e condutas entre os membros da equipe para a execução da tarefa. No entanto, muitas vezes, um ou outro é mais desestabilizador na equipe, pelas condutas, falas, críticas etc. Então, é preciso um trabalho individual de autoconhecimento e mudança de suas próprias dificuldades, para que, no ambiente do trabalho, o indivíduo consiga efetivamente usar planejamentos, metas e prazos como ferramentas eficazes que norteiam, mas não oprimem.

Costumo dizer que, quando sozinho, cada indivíduo é rei de seu mundo. Aí não há críticas, cobranças, expectativas.
Em dupla, acordos são relativamente fáceis. Mas, em grupo fica diferente: é preciso haver regras, combinados, definições claras do que o grupo pretende (tanto a equipe, quanto a empresa), das capacidades e disponibilidades reais de cada um para agregar suas ações aos passos do processo, criar entrosamento cooperativo entre os membros da equipe para cada projeto/processo/meta, além do trabalho com toda equipe sempre aprimorado com feedbacks e diálogos.

Trabalhar em equipe com metas e prazos é um grande aprendizado para a pessoa, além de para o profissional como tal.

É aí que cada um descobre suas exigências, o quanto é crítico para com os outros, até intransigente, o quanto sabe realmente lidar e conviver com as diferenças individuais somando-as e se somando.

Frequentemente, bons profissionais acabam não cumprindo o que lhes foi proposto pela empresa por dificuldades e pela falta de conhecimento interno, emocional e comportamental de si próprio.

É difícil enxergar-se com seus próprios olhos: no convívio e compartilhar com os outros em uma mesma direção é que aparecem os medos, autocobranças, as barreiras, enfim, que impedem ou dificultam a boa realização da qualidade do trabalho, a eficácia objetiva quanto às metas e prazos e principalmente não trazem satisfação individual e do grupo no cumprimento das tarefas.

Por outro lado, quem já sabe viver o presente e se entrega a ele, está ocupado com o “aqui e agora” e, normalmente, não tem medos ou culpas e não está “pré-ocupado” com julgamentos e cobranças internas e externas em relação aos resultados. Neste caso, prazos e metas são mais positivos e mexem menos com o emocional.